"Pérola Negra"

Atualizado sexta-feira, 04/08/2017 |14:15

Cantor Luiz Melodia morre aos 66 anos

Ele estava internado no hospital Quinta D'Or, no Rio de Janeiro, e sofria de um câncer na medula óssea.


Morreu aos 66 anos Luiz Melodia, um dos grandes compositores do Brasil, autor de sucessos como “Pérola Negra”, “Estácio, Holly Estácio”, “Magrelinha” e “Juventude Transviada”. Conhecido por mesclar o samba ao suingue do soul em um modo original de compor e interpretar, ele era dono de um estilo único e uma das vozes mais marcantes da MPB.

O cantor morreu por volta das 5h desta sexta-feira (4). Ele estava internado no hospital Quinta D’Or, no Rio de Janeiro, e sofria de um câncer na medula óssea. O velório será realizado a partir das 15h desta sexta fechado para familiares e às 16h será aberto ao público na quadra da escola de samba Estácio de Sá, na Cidade Nova, zona central do Rio. O enterro será às 10h de sábado no Cemitério do Catumbi, zona norte da cidade.

No início do ano, o cantor chegou a ficar mais de três meses internado após ter sido diagnosticado com mieloma múltiplo, um tipo raro de câncer no sangue. Logo, iniciou as sessões de quimioterapia, mas complicações do tratamento o levaram a ser internado na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), no final de março. No dia 13 de maio, Melodia passou por uma cirurgia bem-sucedida de transplante de medula óssea, porém a doença não regrediu. Melodia era casado com a produtora e cantora Jane Reis, com quem tem um filho, Mahal, também cantor e compositor.

Trajetória

Carioca nascido no morro do Estácio em 7 de janeiro de 1951, Luiz Carlos dos Santos herdou o dom musical do pai, o sambista Oswaldo Melodia. O pai, no entanto, se opôs de início à carreira musical, que começou voltada para a bossa nova e à Jovem Guarda. Depois de chamar a atenção dos poetas Waly Salomão e Torquato Neto, Melodia compôs “Pérola Negra”, gravada por Gal Costa no disco “Gal a Todo Vapor”, de 1972. Pouco depois, “Estácio, Holly Estácio” ganhou interpretação de Maria Bethânia no disco “Drama”, também de 1972. Em 1973, lançou o disco de estreia “Pérola Negra” já com o nome artístico de Luiz Melodia. Os discos seguintes consolidaram sua carreira de artista que transitava entre o samba e o soul.

Mantendo a irreverência do garoto que tocava iê-iê-iê no berço do samba, Melodia ganhou logo o rótulo de “maldito”, dado a artistas que não obedeciam as regras da indústria. Entre os anos de 1990 e a primeira década do novo século, Melodia foi alternando momentos de evidência com outros de discreta hibernação. Vez ou outra, um hit saltava de seus álbuns e o repunha no tablado.

Em meados de 2006, convidado para fazer um show especial para o aniversário de 70 anos do Teatro Rival, no Rio, escolheu um repertório somente com sambas antigos, em homenagem ao pai. O show resultou no delicado álbum “Estação Melodia”, com clássicos de Noel Rosa, Jamelão, Ismael Silva e Wilson Batista, entre outros. Depois de 13 anos sem um disco de inéditas, Melodia lançou em 2014 seu último trabalho e o primeiro de inéditas em 13 anos, “Zerima”, uma volta ao samba suingado que sempre foi sua marca.