Economia

Atualizado domingo, 03/07/2016 |12:20

“Empregados e desempregados devem se capacitar”, diz professor de economia da UERN em Assú

Muitas oportunidades de capacitação e formação profissional estão disponíveis tanto de modo presencial quanto virtualmente


A palavra crise continua sendo uma das mais proferidas pelos brasileiros diante do cenário econômico desfavorável que tem como resultado o aumento no número de desempregados. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mais de 11 milhões de postos de trabalho estão fechados. Na visão de alguns economistas a situação ainda está longe de melhorar e as previsões são nada animadoras para o futuro com o fechamento de mais empresas e por sua vez aumentando o número de demissões e desempregados. A realidade local não é preocupante. Apenas para exemplificar os dados do Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que, em maio de 2016, foram eliminados 2.100 empregos com carteira assinada no Rio Grande do Norte. Em Assú o CAGED aponta que a quantidade de postos de trabalho fechados no citado mês chegou a 76.

Diante de tal constatação como devem se comportar empregados, desempregados e empregadores?

A resposta a essa pergunta é dada pelo professor do departamento de economia do campus local da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Joacir Rufino de Aquino. Na opinião do acadêmico, a capacitação é o elo que une trabalho e trabalhador.

“Para o empregado a crise deve ser um momento para ele se capacitar em diferentes áreas. Isso aumenta suas chances de inserção e permanência no mercado de trabalho. Já o empresário deve preservar na sua empresa os colaboradores mais qualificados e mais produtivos. É preciso entender que o caminho para sair da crise é criar estratégias para crescer e para isso é necessário também melhorar o atendimento aos clientes e a oferta de produtos ou serviços. Para isso, empregados mais preparados, terão uma chance maior de estimular as vendas quando for o caso. Mas a recomendação é válida para todos os setores ampliando as chances de prosperidade dos negócios. Invista pesado em propaganda e em negociação com os seus clientes além de cuidar dos seus funcionários capacitando-os para que eles possam elevar a sua produtividade. Já quem está desempregado a alternativa é também se capacitar. Elabore um bom curriculum, se prepare para uma entrevista de emprego e procure um setor com o qual tenha afinidade”, disse o professor universitário ressaltando que o desemprego é um fato real e que os trabalhadores de Assú e da região do Vale do Açu assim como os de outras localidades não estão imunes.

Quanto ao futuro Joacir Aquino se mostra crédulo de que este será melhor do que o presente em se tratando de recuperação da economia e por sua vez abertura e/ou reabertura de postos de trabalho.

A crise é um momento transitório e especialmente aqui na região do Vale do Açu nós temos tudo para superar esse problema. Minha visão para o futuro é otimista, sobretudo logo a partir do início do próximo ano com a volta das chuvas já que a sua falta nesses últimos cinco anos também tem sido um fator que contribui para o agravamento do desemprego. Eu acredito que 2017 será bem melhor”.

Ele citou dois empreendimentos que podem se tornar uma referência na geração de emprego e renda no Vale do Açu.

Há uma empresa se instalando na cidade de Ipanguaçu atuando no ramo da fruticultura. Uma fonte de geração de empregos com carteira assinada. Também temos conhecimento que um investidor no ramo de educação veio estudar o Vale do Açu para implantar aqui na região uma grande faculdade particular com vários cursos. Isso é mais uma oportunidade para a população entrar no mercado de trabalho. A crise traz muitos problemas, mas também é um momento de oportunidade”.

Um dos setores que em Assú e na região ainda está resistindo a queda da economia é o comércio mesmo registrando demissões e em alguns casos fechamento. De modo específico Joacir Aquino acredita que o aumento no valor dos benefícios do programa federal de transferência de renda Bolsa Família autorizado na semana passada pelo presidente interino da República, Michel Temer (PMDB) pode ser visto com bons olhos por esse segmento.

A novidade positiva é o anúncio do reajuste no valor do Bolsa Família e isso tem um impacto direto na economia dos municípios de forma positiva pois vai aumentar a circulação de renda estimulando o comércio. Isso pode trazer algum sinal positivo principalmente na nossa região que depende principalmente dessa renda”, finalizou.

Sobre capacitação muitas são as opções gratuitas para capacitação nas mais diversas áreas. Em Assú, mensalmente são ministradas palestras gratuitas com tal finalidade no Senac que por muito tempo também disponibilizou a custo zero formação profissional através do Programa Senac de Gratuidade (PSG).